Trânsito

Exame de direção ganha novo percurso e sistema de pontos

SENATRAN implementa mudanças profundas no exame prático da CNH, com novo percurso e sistema de pontos.

Comunicação - 20 de fevereiro de 2026
GRUPO CRIAR - Criação

O início de 2026 marca uma virada significativa na forma como os brasileiros serão avaliados para conquistar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Com a publicação da versão final do Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular (MBEDV), a Secretaria Nacional de Trânsito (SENATRAN) estabelece um novo modelo de prova prática, que altera tanto o percurso quanto os critérios de avaliação. A proposta é tornar o exame mais próximo da realidade das ruas, menos punitivo em relação a erros pontuais e mais justo na análise do desempenho global do candidato.

Entre as principais mudanças, destaca-se o fim das faltas eliminatórias em diversas situações. Erros como deixar o carro apagar, esquecer de acionar a seta ou até mesmo pequenas falhas de coordenação não resultam mais em reprovação imediata. Agora, cada deslize soma pontos, e o candidato é avaliado pelo conjunto de sua condução. Esse sistema de pontuação permite que o exame reflita melhor a realidade do trânsito, onde pequenos erros acontecem, mas não necessariamente comprometem a segurança. Além disso, o novo percurso inclui elementos mais próximos do cotidiano urbano, como cruzamentos, semáforos, lombadas e interação com pedestres, o que, segundo o órgão, amplia a capacidade de avaliar não apenas a técnica, mas também a percepção de risco e a tomada de decisão do futuro motorista.

Outro aspecto relevante é a padronização nacional. Até então, cada DETRAN tinha autonomia para definir detalhes do exame, o que gerava discrepâncias regionais e, muitas vezes, injustiças entre candidatos de diferentes Estados. Com o MBEDV, todos os órgãos de trânsito passam a seguir diretrizes unificadas, garantindo maior equidade e transparência. A tecnologia também entra como aliada: câmeras e sensores podem ser utilizados para registrar o exame, oferecendo mais segurança jurídica e reduzindo questionamentos sobre a avaliação. Essa modernização reforça a credibilidade do processo e contribui para que o exame seja visto não apenas como uma barreira burocrática, mas como um instrumento de formação cidadã.

Estados como Minas Gerais já iniciaram a aplicação do novo percurso e sistema de pontos. A expectativa é que, ao longo de 2026, todos os Estados adotem o modelo, consolidando uma mudança estrutural na formação de condutores no Brasil.

Para especialistas, entretanto, a resolução representa um retrocesso na formação de condutores. Críticos apontam que o novo sistema de pontos pode banalizar erros graves, transformando falhas que antes eram eliminatórias em simples anotações, o que reduz a exigência técnica e compromete a segurança viária. Há também preocupação com a redução da carga horária e da complexidade do processo de habilitação, já que medidas recentes, como a possibilidade de concluir a formação em apenas duas horas, levantam dúvidas sobre a real preparação dos futuros motoristas. Além disso, especialistas destacam que a padronização nacional, embora positiva em termos de equidade, pode desconsiderar especificidades regionais e resultar em um modelo engessado, pouco adaptado às diferentes realidades do trânsito brasileiro. Em análises técnicas, há quem veja falhas estruturais na minuta da Resolução 1020/25, apontando riscos concretos à formação de condutores e à segurança coletiva. Nesse sentido, a modernização proposta pela SENATRAN é vista por parte da comunidade técnica não como avanço, mas como uma flexibilização perigosa, que pode fragilizar a qualidade da formação e aumentar a vulnerabilidade nas ruas.

Continue acompanhando o Blog Transitar para análises completas e conteúdos aprofundados sobre como essas mudanças vão impactar candidatos, instrutores e o futuro da mobilidade no Brasil. Aqui, você encontra informação de qualidade para entender cada passo da evolução na formação de condutores.