A baliza, tradicionalmente considerada uma das etapas mais difíceis da prova prática, deixou de ser obrigatória em grande parte do Brasil desde o início de 2026. O Distrito Federal já havia descontinuado a exigência em 2004. Até o momento, já aderiram à retirada da baliza os Estados do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe. Ainda restam implementar a mudança Pernambuco, Rondônia, Roraima e Santa Catarina.
Embora a decisão da Secretaria Nacional de Trânsito (SENATRAN) busque aproximar o exame à realidade das ruas, especialistas e representantes de autoescolas apontam que, na prática, a situação é diferente. A retirada da baliza pode facilitar a aprovação, mas levanta críticas sobre a formação dos novos motoristas. Instrutores alertam que a ausência de treinamento específico em baliza e garagem pode comprometer a segurança em situações cotidianas, já que estacionar em vagas apertadas continua sendo um desafio real. Muitos defendem que manobras isoladas ainda são essenciais para preparar o candidato para cenários urbanos complexos, como estacionamentos lotados e ruas estreitas.
A SENATRAN lançou no dia 01 de fevereiro o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular (MBEDV), que estabelece regras nacionais para a prova prática de obtenção da CNH. Segundo o órgão, o documento está mais alinhado à realidade do trânsito brasileiro e reforça que o exame de baliza “deixou de ser uma etapa obrigatória da prova prática”. De acordo com o manual, a avaliação passa a observar o condutor em situação real de tráfego, em vez de uma manobra específica feita em espaço isolado.
O texto destaca que “um trajeto em via pública permite avaliar atenção, leitura do ambiente, respeito às regras, interação com outros veículos, pedestres e ciclistas, além do controle emocional. O foco deixa de ser a memorização de movimentos e passa a ser o comportamento ao volante, que é o que efetivamente impacta a segurança no trânsito”.
O manual completo pode ser acessado no site oficial do governo: MBEDV – versão final
Segundo os DETRANs, a baliza gerava reprovações em excesso, muitas vezes por erros pontuais que não refletiam a habilidade real do candidato. A ideia é que o exame avalie comportamentos mais relevantes para a segurança viária, como controle do veículo em movimento, atenção ao ambiente e respeito às regras de circulação.
Defensores da medida argumentam que o exame deve focar em cenários reais de trânsito, como cruzamentos, rotatórias e vias movimentadas, onde a tomada de decisão rápida é mais determinante para a segurança. Já críticos afirmam que a baliza é um exercício fundamental para avaliar coordenação motora, noção de espaço e controle do veículo em baixa velocidade.
Nos Estados que já retiraram a baliza, o exame prático passou a incluir trajetos mais longos em vias públicas, com avaliação contínua do comportamento do candidato. Erros como avançar sinal vermelho, não dar preferência em cruzamentos ou desrespeitar limites de velocidade agora têm peso maior na reprovação. Além disso, cresce a tendência de permitir que candidatos realizem o exame em veículos automáticos, refletindo a popularização desse tipo de carro no mercado brasileiro.
A retirada da baliza abre espaço para uma reflexão mais ampla sobre a formação de motoristas no Brasil. Se por um lado a mudança pode reduzir reprovações injustas e tornar o processo menos burocrático, por outro exige que autoescolas reforcem o ensino prático de manobras fora do exame. Afinal, estacionar corretamente continua sendo uma necessidade cotidiana, e a ausência da baliza não elimina a responsabilidade de aprender e praticar essa habilidade.
Independentemente da polêmica, o consenso é que a responsabilidade maior recai sobre a educação e a conscientização dos condutores. Mais do que passar na prova, é preciso estar preparado para dirigir com segurança, respeito e responsabilidade. Para isso, recomenda-se que o candidato procure um CFC (Centro de Formação de Condutores) especializado, que ofereça aulas práticas em diferentes cenários urbanos, além de cursos complementares de direção defensiva. Dessa forma, o futuro motorista não apenas cumpre a exigência legal, mas desenvolve habilidades sólidas para enfrentar os desafios do dia a dia no trânsito.
A mobilidade urbana está em constante transformação, e mudanças como a retirada da baliza mostram como o trânsito evolui junto com a sociedade. Para se manter informado sobre novas regras, debates e tendências na formação de motoristas, siga acompanhando o Blog Transitar.